segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Lutuoso

Coesa, invicta, impartível, porém,
indecifrável existência
quando está o corpo prestes
a dar um eterno adeus.
O que cabe
a cada um
em demasia
denuncia um final,
um fim particular,
descrito em olhos cerrados,
numa face sem respiração.
O tempo que nos trouxe
ansiosamente
segue.
Seguem a decomposição,
a transformação.
Ficam só as perguntas.
Porquê já não estás mais aqui,
quando aqui estavas
quase há um segundo?
O que sabes agora?
As mesmas coisas,
tudo ou nada?
Mas pulsa um desejo daqui
de saber de ti cada vez mais,
de saber não mais do brilho
dos seus olhos, ou de seus lábios quentes.
Mas apenas sobre o que restou
da tua mente e do teu coração.
Apenas uma  incompreensível
natural e descabida transição?
Ou um outro,
misteriosamente forjado,
encantado e impenetrável
universo?






https://www.youtube.com/watch?v=Jb4CHveIS50



p/ Adriano Assis Martins do Amaral (in memorian, 28/12/2014)

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